Uma iniciativa da Gerência de Cultura da Escola do Legislativo do Amazonas, da Assembleia Legislativa, está resgatando uma história do início do século 20, que aconteceu em plena floresta amazônica, mas que hoje está praticamente esquecida ou é totalmente ignorada pelas novas gerações. Trata-se da história de um distrito da cidade de Aveiro, no Pará, chamado Fordlândia, um empreendimento visionário do milionário Henry Ford, um engenheiro americano criador do sistema “linha de montagem” para fabricação de produtos e que ficou milionário fabricando automóveis, que queria montar uma fábrica de pneus para seus veículos coletando a borracha diretamente das seringueiras plantadas por ele mesmo, no interior o Pará.

Essa epopeia americana que não deu certo, mas deixou uma cidade inteira construída às margens do rio Tapajós e foi vivenciada pela família do professor e Diretor Executivo da Associação Panamazônica, Belisário Arce, foi transformada em livro e em uma grande exposição fotográfica que está aberta ao público na sede Assembleia Legislativa do Amazonas até a próxima sexta-feira (15).

O livro “Fordlândia: Resgate de Memórias Afetivas de uma Epopeia Amazônica” conta a trajetória da família do professor Belisário Arce e os 15 paineis com fotos recontam a tentativa de Henry Ford de criar uma planta industrial autossuficiente no meio da Amazônia para produzir borracha para suas indústrias automobilísticas.

Representando a Mesa Diretora na abertura da exposição, o deputado Luiz Castro elogiou o trabalho de resgate histórico feito pelo professor Belisário Arce destacando a importância de conhecer essa história para entender como aconteceu a construção da sociedade amazônica. “Fordlândia ainda é exemplo de empreendimento social, muitas críticas feitas às relações de trabalho, são injustificadas porque sabemos que os trabalhadores eram bem tratados, mais do que os seringueiros nativos”, afirmou Luiz Castro.

Convidado especial para a exposição, o escritor e historiador amazonense Márcio Souza, conta que Henry Ford era um revolucionário capitalista com visão global das possibilidades econômicas e que decidiu construir uma usina de fabricação do látex racionalizando a fabricação da borracha. “Uma iniciativa que nenhum coronel de barranco pensou até então. Ele plantou seringueiras em locais onde não existiam a uma distancia de três metros cada uma para cultivar, extrair e beneficiar a borracha direto para serem usadas nas fábricas de Detroit (USA)”, disse Márcio Souza. O desastre, segundo o historiador Márcio Souza, é que Ford não tinha experiência em agricultura equatorial e as seringueiras plantadas muito próximas foram vítimas de pragas, entre elas, o Microcyclus ulei, um fungo causador do mal das folhas, a principal doença da seringueira. “A derrota de Ford foi a destruição de seus seringais pelo parasita Microcyclus. A natureza ‘planta’ duas seringueiras com até um quilometro de distancia entre elas, justamente, porque a plantação próxima é propicia a ser dizimada pelas pragas. O livro do Belisário traz à tona a discussão e o estudo sobre a Fordlândia”, disse Márcio Souza.

Serviço

O que: Exposição Fotográfica Fordlândia: Resgate de Memórias Afetivas de uma Epopeia Amazônica
Onde: Hall da Assembleia Legislativa do Amazonas
Quando: de 12 a 15 de Setembro das 8h às 14h
Quanto: Gratuito

No local o livro “Fordlândia: Resgate de Memórias Afetivas de uma Epopeia Amazônica” estará à venda ao preço de R$ 50 reais.