Dentre a programação de cursos e eventos para o segundo semestre de 2019 da Escola do Legislativo Senador José Lindoso, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), destaca-se o programa Educando pela Cultura. Criado há três anos como um projeto, e esse ano sendo consolidado como programa permanente, o Educando pela Cultura tem o objetivo de falar com alunos de escolas públicas sobre temas que são trabalhados de forma transversal na educação e assim ampliar as experiências, contribuindo para o crescimento social.

Os encontros iniciam no mês de agosto, com debates sobre o tema feminicídio. A pedagoga da Escola do Legislativo, Jacy Braga, explica que esse tema foi escolhido em razão do aumento dos números de casos de feminicídio, de acordo com o Atlas da Violência divulgado no último dia 5 de junho. O Atlas da Violência é um documento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Governo Federal e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O documento mostra que o Amazonas saiu de 52 casos registrados em 2007 para 115 em 2017. Isso representa um aumento de 121,2% em uma década. Em 2017, o Estado ocupou a 14ª posição no ranking nacional, com 5,7 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes. A média nacional é de 4,7. “Diante desses números, sentimos a necessidade e importância de falarmos mais com nossos jovens sobre o tema”, disse a pedagoga.

O programa é voltado para alunos a partir do 9° ano do Ensino Fundamental até o 3° ano do Ensino Médio, mas este ano também atenderá grupos de terceira idade. E, segundo a programação, o tema a ser debatido no mês de setembro é depressão e suicídio.

“Nós entendemos que é um problema tão importante quanto o feminicídio e, por isso, vamos propor essa conversa. A intenção é oferecer informações através das palestras, esclarecer a quem, por ventura, se sentir envolvido pelo problema. Nosso interesse é que quem nos procure tenha acesso ao tratamento. Por isso, vamos buscar apoio com universidades e órgãos públicos de saúde”, afirmou.

No mês de outubro, está sendo planejada uma pauta sobre a realidade do sistema prisional amazonense. “Em dois anos aconteceram duas rebeliões em presídios do Estado que resultaram em mais de cem mortos”, destacou.

Para Jacy Braga, é preciso discutir sobre isso também, e que a sociedade fique sabendo o que de fato é feito para ressocialização desses presos. Já no mês de novembro, mês que é celebrada a Consciência Negra, as conversas serão em torno de racismo e papel do negro na cultura e sociedade brasileira.

 

Didática

 

Cada ciclo de debate inicia com um documentário, uma exposição de fotos, escultura, dança ou uma peça teatral que tenha a ver com a temática a ser trabalhada. Isso ocorre para sair do convencional e conquistar a atenção dos participantes desde os primeiros instantes. Após esse momento, o palestrante, que sempre é alguém com grande saber e experiência no tema, apresenta as informações necessárias para suscitar o debate.

Jacy Braga, que também é a idealizadora do Programa Educando Pela Cultura, diz que essas informações, ou “essa formação inicial” teria que ser doméstica, vir da família. Porém, segundo a idealizadora, como há uma defasagem em relação a essa formação, é papel da escola, do Estado e do governo informar. “E nós, enquanto Escola Legislativa, procuramos fazer essas atividades, seguindo as diretrizes que nos são passadas pelo presidente da Aleam, deputado Josué Neto”.

 

 

Diretoria de Comunicação da Aleam

Texto: Joyce Campos

Foto: Rubilar Santos