Relatório estatístico da Gerência de Psicologia, ligada à Diretoria de Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mostra que no período de janeiro a setembro deste ano foram realizados 1.385 atendimentos a servidores ativos, inativos e seus dependentes. A Casa tem seis profissionais da área.

Nesta quinta-feira (10) é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental, instituído em 1992, pela Federação Mundial de Saúde Mental. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera prioridade os problemas relacionados à saúde mental, que é também preocupação da Aleam, conforme explica o diretor de Saúde, Arnoldo Andrade.

“Há uma preocupação mundial com as chamadas doenças da cognição, que atacam a capacidade do pensamento e a Assembleia, há tempo, enfrenta essa dificuldade. Somos subordinados a uma carga de trabalho, uma pressão social muito grande. Temos um grupo de psicólogos que trabalha exclusivamente esses comportamentos. Hoje, tudo é muito rápido, muito dinâmico e muitas pessoas não conseguem acompanhar as mudanças, sejam no âmbito familiar ou no local de trabalho. Algumas conseguem se equilibrar, outras não e precisam de ajuda, diz Arnoldo Andrade.

Foi o que aconteceu com a jornalista Fernanda Barroso, servidora da Aleam desde 2013.  Sua rotina mudou a partir de 2015, quando sua avó, de 88 anos, foi diagnostica com Alzhmeir. “Minha rotina mudou. Comecei a me sentir muito esgotada, cansada fisicamente. Antes eu tinha uma rotina de vir trabalhar, e tive de abrir mão disso. Comecei a viver em prol só de trabalhar e cuidar da minha avó e isso começou a me fazer muito mal. Me sentia angustiada, não sabia como lidar com aquela nova realidade”, relata.

 

A terapia mostra um rumo

 

“Teve momentos que eu tive vontade de desistir. Porque você percebe coisas em você que não é legal, porque há conflitos com o seu eu, o seu íntimo e você acaba descobrindo características, fraquezas que não são boas. Mas eu nunca desisti. A terapia não te ajuda a resolver os problemas, mas ajuda a lidar com os problemas”. Fernanda elogia a Aleam por oferecer esse serviço aos servidores. Segundo ela, uma hora de atendimento particular custa cerca de R$ 400.

 

Na Idade Média: possessões demoníacas

 

Funcionário há 35 anos, Manuel Monteiro Diz Júnior é titular da Gerência de Psicologia. Primeiro psicólogo da Casa, desde 2004 ele dirige o serviço que, daquela data até agora, fez quase 18 mil atendimentos psicológicos aos servidores e seus dependentes.

Em 2006, o setor ganhou nova estrutura, conta Manuel Diz. “Durante esses anos, já compuseram a gerência 17 psicólogos. Isso é motivo de orgulho para mim, porque ninguém faz nada sozinho”, afirma.

Às vezes, esses transtornos não se referem apenas ao trabalho, mas também “a uma soma de fatores”, afirma Manuel Diz, acrescentando que hoje existe mais procura por atendimento mental do que no passado. “Se voltarmos para a Idade Média, quando não tínhamos evolução científica, veremos que muitas doenças mentais eram vistas como possessões demoníacas. Mesmo assim, ainda existem tabus e desconhecimentos”, analisa.

 

 

 

Diretoria de Comunicação da Aleam

Texto: Elizabeth Menezes

Foto: Hudsom Fonseca